quarta-feira, 15 de julho de 2009

E AGORA, JOSÉ?

Carlos Drummond de Andrade, inicia o poema “José” com as seguintes freses:
E agora, José? / A festa acabou, / a luz apagou, / o povo sumiu,
a noite esfriou, / e agora, José? / e agora, você?
Neste mês de Junho, temos vivido dias de festa comemorando nosso terceiro aniversário. Tivemos as conferências, o Conjunto Nazireu, o Junta Panela, o Dia de Oração e uma festa com direito a bolo, vela e chapeuzinho! Momentos felizes que acompanharão nossa história e já deixaram muita saudade, porque a vivência de bons momentos na companhia de pessoas que gostamos ajudam a fazer nossa vida ter mais graça.
Mas a festa um dia acaba. E tem que acabar! Esse é o paradoxo que faz a vida continuar. Porque, do contrário, nos acostumaríamos com a festa, com a euforia, e correríamos o risco de achar que a vida sempre será assim (e na verdade talvez deveria mesmo ser...). Mas a festa termina para nos lembrar que precisamos continuar caminhando. Na caminhada encontramos lutas, ao lutarmos, às vezes vencemos, e vencendo, ou perdendo, temos motivos para nos alegrar, celebrar, convidar pessoas, comprar bolos e refrigerantes e fazer uma nova festa, que um dia acabará novamente.
Hoje, quando a festa passou, nos fazemos a pergunta de Drummond: “e agora, José?” E agora, batistas soteropolitanos, o que aprendemos com a festa? Estamos prontos para os dias sem festa, com lágrimas e dor? Acreditamos que apesar das longas noites de choro, nossa alegria reflorescerá com a força de cada nova manhã? Consolamos o coração com a esperança da volta do nosso Senhor que enxugará de nossos olhos toda lágrima?
Que o Senhor nos encontre em festa mesmo quando a luz se apagar, o povo sumir e a noite esfriar.

Um comentário:

Ly disse...

A forma como você escreve me encanta! É como ler Rubem Alves...o texto tem uma beleza, uma linguagem tão próxima, traz um sensação de calmaria, mas nos ajuda a refletir sobre a vida, e, principalmente, sobre a forma como escolhemos vivê-la.
"E agora, José?"
Essa pergunta é feita constantemente por nós. Você conseguiu dar uma resposta interessante.
Você vai longe...
Abraço!